Thursday, February 8, 2007

Número de Circo

Senhoras e Senhores, meninos e meninas, admirável público, o rufar dos tambores que acompanham a arquestra, numa pobre melodia que acompanha esta apresentação mortal, sempre pontual às auroras, na influente embriaguez das noites longas acabadas em bares de porto, sitios de má vida que não é a dele, mas que não resiste aos jogos de azar, onde ninguém o incomoda, a estrela, o às do trapézio um homem sem gravidade sentimental, sem coração, num espectacular número em que arrisca a própria vida e por vezes a dos outros também, porque nada vale, viver ou morrer é para ele perfeita mente igual, ele salta das alturas atingindo uma velocidade estonteante, em plena queda livre, ele vira e revira no ar desafiando a gravidade sentimental sem nada a temer, ele arrisca no final do numero um triplo salto imortal, como todos os defeitos do amor, sem acomapanhamento , arriscando percorrer uns 6 meses sem rede, sem compreensão, atingindo uma distância que pode ser medida em Km, o silêncio da plateia ajuda a concentração no seu número, não se sabe o que sentem os que tão sentados, mas ele sente um nervoso, até há hora em que na descida vertiginosa, e a grande velocidade, larga o arame, e se lança no ar abandonado à sorte sabe-se lá de que santos e amigos em que não acredita, de que deuses de qualquer céu onde não tem lugar, mais uma vez largado deixado à sorte das ciências mais ou menos exactas num cálculo imaginário que não sabe se dá certo, ou se chega seguro ao outro lado, onde em certa altura do salto ele nem sabe para onde ir, confia apenas num instinto ora mais ora menos afinado, que o leva pelos percursos da vida. Até onde tiver que ir., num rápido rasganço, compoucos fechares de olhos...

1 comment:

Anonymous said...

depois de horas entre estocolomo, malmo, copenhaga, jorn utzon e tantos outros, acabei por ir ver umas coisas para tras e a viajar por ti =) e o que me pergunto, apenas lendo este primeiro (ultimo) texto é: onde é que te perdeste desde dia 8 de fevereiro de 2007 que não há aqui mais nada teu desde então?! tenho a certeza que o próximo número de circo que aqui puseres há-de ser bem menos ofegante do que este.. conseguiste contagiar-me com a falta de ar =)
beijinhos,
sofia